E a moça? De que lugar teria vindo? Que caminhos teria pisado? Que insuspeita das descobertas teria feito? Tu olharias a moça mas, as perguntas não acorrendo, o mistério que a envolveria seria desfeito - uma moça vestida de azul, sentada no chão de uma praça sem lago. Não poderias saber nada de mais absoluto sobre ela, a não ser ela própria. Fazendo perguntas, tu ouvirias respostas. Nas respostas ela poderia mentir, dissimular, e a realidade que estava sendo, a realidade que agora era, seria quebrada. pois, não fazendo perguntas, tu aceitarias a moça completamente. Desconhecida, ela seria mais completa que todo um inventário sobre o seu passado. Descobririas que as coisas e as pessoas só o são em totalidade quando não existem perguntas, ou quando essas perguntas não são feitas. Que a maneirar mais absoluta de aceitar alguém ou alguma coisa se ria justamente não falar, não perguntar - mas ver! Em silêncio.
Conto: Ponto de Fuga - Caio Fernando Abreu
Postagens populares
-
Um " aquariano " pode ter paciência demais para qualquer coisa. Mas não faça ele perder a paciência não , porque você pode conhece...
-
Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Nã...
-
Eu quero te contar Das chuvas que apanhei Das noites que varei No escuro a te buscar Eu quero te mostrar As marcas que ganhei Nas lutas cont...
-
"Tô me afastando de tudo que me atrasa, me engana, me segura e me retém. Fui ser feliz, e não volto! Tô me aproximando de tudo que me f...
-
"Arrancar um sorriso meu é muito fácil. Coloco um pouco de sentimento em tudo que faço. Busco a Deus sempre, somos grandes amigos. Dou ...
Nenhum comentário:
Postar um comentário